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Queremos
compartilhar com todos os amigos boxeristas, uma fantástica história
verídica com grande influência nas nossas linhas de sangue, iniciada pela
nossa querida amiga e criadora de excelência Dª Lilian Raucoules, e seu
marido Engº Eugénio Gago. História essa cedida gentilmente pelo nosso
amigo e criador Juan C.S.Rodriguez (los Tomeguines).
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Blacky von der Scheleuse Foi um som estranho que chamou a sua atenção, era metálico, parecido ao das ferramentas dos operários da fábrica, mas não era duma ferramenta que provinha aquele barulho esquisito. Já o tinha ouvido noutras ocasiões e imediatamente soube que algo de muito mau estava para acontecer: era o som duma arma a ser carregada. Olhou para o portão e viu que um grupo de homens, com tochas nas mãos, tinha invadido a propriedade. Não havia tempo para acordar a família. Tinha que os deter antes de chegarem a casa. Correu na direcção dos intrusos e quando estava prestes alcança-los alguém gritou: - Cuidado!- E disparou... A bala rasgou a sua carne como uma brasa. O impacto fê-lo rolar pelo chão e a dor perder os sentidos. Acordou com a conversa de dois homens ao pé de si. - Ainda está vivo. Dá cabo dele! - Espera, podemos acordar os vizinhos. Voltou a perder os sentidos e só os recuperou quando sentiu que mergulhava numa água fria e escura. Levou alguns instantes até chegar à superfície e compreender onde se encontrava: estava no poço! Sabia que com os ferimentos que tinha não conseguiria manter-se à tona durante muito tempo. Procurou algo a que se segurar e felizmente encontrou a ponta duma pedra que sobressaía da parede como um pequeno degrau. Chamou, mas ninguém o podia ouvir. Escutou gritos e um cheiro forte chegou até ele. Era fumo. Compreendeu que a casa e a fábrica estavam a arder e gritou de raiva por não poder ajudar a sua família. Se não estivesse ferido com certeza que conseguiria sair daquele buraco. Afinal não havia na quinta vedação que lhe resistisse. Mas assim ferido não tinha a mínima hipótese de sair. Voltou a chamar... Soube que era de dia pela claridade na entrada do poço. Tinha passado o resto da noite num verdadeiro suplicio. As dores eram cada vez mais fortes e por vezes perdia a consciência. Gritou, mas o som da sua voz foi abafado pela sirene dos bombeiros. Estava a desfalecer e compreendeu que tinha que fazer alguma coisa. Se não saísse dali acabaria por se afogar. Juntou as forças que ainda lhe restavam e conseguiu se equilibrar no pequeno degrau. Olhou e viu mais acima uma saliência à qual se poderia segurar se pudesse chegar até ela. Para o conseguir teria de saltar. O salto provocou uma chicotada que percorreu todo o seu corpo a partir da ferida. Bateu com a cabeça na parede, não conseguiu se segurar e voltou a mergulhar na água fria. Chamou, chamou, chamou, ... até desmaiar. Entrou numa espécie de estado semiconsciente que antecede a morte, onde a dor, a fome, a febre e o frio se misturam com as lembranças de toda uma vida. Estava a agonizar. Não soube ao certo quanto tempo ficou nesse estado. Sentiu uma forte luz nos olhos e viu que o sol já estava bem alto. Mas não tinha acordado por causa do sol. Pareceulhe, por um momento, ter ouvido passos junto ao poço. Concentrou todos os seus sentidos naquele familiar arrastar dos pés. Não estava enganado, alguém se aproximava. Gritou, gritou com todas as forças que o seu estado lhe permitia e ouviu antes de voltar a desmaiar: - Pluto!! - Acudam, o Pluto está no poço. Rápido que está VIVO! Blacky von der Scheleuse , aliás Pluto, um cão de raça boxer, propriedade dum casalde empresários alemães foi trazido com eles para Portugal. Em 1975, na sequência dum assalto, Blacky sobreviveu a uma bárbara agressão. Foi baleado e atirado a um poço onde teve que lutar pela sua vida durante muitas horas. Os seus donos perderam a casa e a fábrica de que eram proprietários, mas milagrosamente conseguiram recuperar um dos exemplares que mais aportou à criação boxerista em Portugal.
Juan Carlos Sánchez Rodríguez Sócio nº 611 do Boxer Club de Portugal Sócio nº 1412 de Clube Português de Canicultura
UM FLASH Me disse: - Quando o vi foi como um flash, senti que o tinha encontrado, senti que era ele! Estava-se, na aquela altura, no final da década de setenta e a minha amiga tinha decidido enveredar pelo difícil caminho da criação de boxers. O seu marido algum tempo antes lhe tinha oferecido uma linda cadela e desde então incessantemente procurava um semental para procriar. Foi pelo seu veterinário que tomou conhecimento dum cão importado da Alemanha por um casal de empresários alemães, que milagrosamente tinha sobrevivido a um triste incidente e que de acordo com o médico era um lindíssimo exemplar. Decidiu visitar os donos do cão e quando este lhe foi finalmente apresentado sentiu um arrepio ou de acordo com as suas palavras “um flash”. Foi neste preciso instante, neste momento, nesta fracção de segundo que deu inicio uma das maiores proezas na criação de boxers em Portugal. A amiga é a Sra. Lilian Raucoules, o seu marido é o Eng. Eugénio Gago, o cão Blacky v. d. Schleuse e a cadela Wachtel v. Barruck. São estes, respectivamente, algumas das personalidades e alguns dos exemplares que ao longo de quase trinta anos mais têm marcado a criação boxerista em Portugal. Uns com a sua dedicação e genialidade, os outros através da sua magnífica herança genética. Blacky e Wachtel foram os progenitores das ninhadas A, D e E de la Vallée D’Oulja, num total de trinta cachorros criados, entre os que se destacam os campeões Azziz, Andir, Ain e Djinn de la Vallée D’Oulja. Talvez, dos filhos de Blacky e Wachtel, a mais conhecida seja Ch Ain de la Vallée D’Oulja em cuja honra é atribuido anualmente, na Exposição Monográfica do B.C.P., um prémio à melhor cadela criada em Portugal. Surpreendentemente, ou se calhar não, algumas das mais recentes vencedoras deste prémio são descendentes da campeã Ain e consequentemente dos seus magníficos pais Blacky e Wachtel. Senão vejamos: Gwen do Conde de Valmont, vencedora do prémio Ch Ain de la Vallée D’Oulja nas edições de 2001 e 2002 é filha de Quo-Vadis de la Vallée D’Oulja, filho de Oasis de la Vallée D’Oulja, filha de Myrea de la Vallée D’Oulja, filha de Ch Agnia dos Fumeiros, filha do Ch Wagner de la Vallée D’Oulja, filho de Ch Guedra de la Vallée D’Oulja, filha de Ch Ain de la Vallée D’Oulja, filha de Blacky e Wachtel. Mas se nesta extraordinária linha de sangue fizermos o caminho inverso, com apenas uma mudança nas suas origens podemos deparar com outra agradável surpresa: Como sabemos Blacky e Wachtel foram os pais de Ch Ain de la Vallée D’Oulja, que foi a mãe de Ch Guedra de la Vallée D’Oulja, que foi a progenitóra de Ch Oum de la Vallée D’Oulja, que gerou a Ch Anais do Vale da Venda, mãe de Ch Junon de la Vallée D’Oulja, mãe de Lorna de la Vallée D’Oulja, progenitóra de Valkiria de la Vallée D’Oulja, vencedora na edição de 2003 do prémio Ch Ain de la Vallée D’Oulja. Estas assombrosas sequências de exemplares memoráveis podem ser repetidas para muitos dos boxers que todos conhecemos e para outros tantos que embora sendo desconhecidos não deixaram de dar grandes alegrias aos seus donos. O motivo por simples não deixa de ser extraordinário: todos os exemplares do afixo Vallée D’Oulja são descendentes de Blacky e Wachtel! Os exemplos citados ilustram, ante tudo, o trabalho, a dedicação e o talento dos Senhores Lilian Raucoules e Eugénio Gago que souberam preservar e melhorar o legado genético dos notáveis Blacky v. d. Schleuse e Wachtel v. Barruck. É hoje evidente que àquele primeiro “flash” se seguiram muitos outros que marcaram muito positivamente o universo boxerista em Portugal Por tudo, Lilian e Eugénio, Blacky e Wachtel, MUITO OBRIGADO!
Juan Carlos Sánchez Rodríguez Sócio nº 611 do Boxer Club de Portugal Sócio nº 1412 de Clube Português de Canicultura
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